Por se
tratar de um país
obcecado pelo sobrenatural, os ensinos da Nova Era têm encontrado um terreno fértil em vários segmentos da sociedade brasileira.
Há muita gente em nosso país disposta a crer em qualquer
coisa, desde que, aparentemente, funcione, sem qualquer questionamento.
Num excelente artigo intitulado “Chega de charlatanismo”,
publicado pela revista Veja, a psicóloga Vanessa Gesser
de Miranda, de Florianópolis, esclarece:
A sociedade brasileira está mergulhada na maior onda de irracionalidade
de que se tem notícia. Há uma curiosa necessidade de acreditar
em tudo aquilo que se apresenta como uma solução mágica
para os problemas. Uma atração irresistível para a
alternativa mais imediata, mais fácil, a qual se aceita independentemente
de uma análise de seus resultados reais. Assim é com a política,
com a economia, com a medicina e a psicologia. Acredita-se em anjos, gnomos,
gurus, pedras, flores, magos, bruxas, horóscopo, tarô, runas
e pirâmides.
Virou moda também, em muitas empresas hoje no Brasil, selecionar
candidatos por meio da astrologia, numerologia e grafologia, substituindo,
assim, os tradicionais exames psicotécnicos e entrevistas. Apesar
de toda essa febre esotérica no mundo empresarial, esses métodos
místicos não possuem fundamento científico. Veja o
que diz o jornal Folha de São Paulo:
Apesar de toda “embalagem científica” que muitos métodos
alternativos se revestem para ganhar credibilidade, nenhum deles é aceito
pela comunidade científica. “A astrologia não se baseia
nos procedimentos usuais das ciências físicas”, afirma
Ildeu de Castro Moreira, professor do Instituto de Física da Universidade
Federal do Rio de Janeiro. Para o professor de lógica da USP, Luiz
Barco, 53 anos, a numerologia não é comprovada. “Não
se pode afirmar que conhecer a personalidade pela data de nascimento seja
científico”.
A mídia brasileira tem propagado, em grande escala, as idéias
da Nova Era. Quase toda semana as revistas seculares trazem alguma reportagem
relacionada ao assunto. Há novelas que foram ao ar a alguns anos
como Mandala, Vamp, Renascer, Carmem, e outras atuais como O Profeta e
Páginas da Vida debatem sobre reencarnação, comunicação
com os mortos e misticismo. Nem as crianças são poupadas.
Revistas infantis e programas de desenhos animados na TV estão infestados
dos conceitos da Nova Era. As revistas Ano Zero e Planeta são
as que mais se destacam entre as várias publicações
ligadas a esse movimento.
Os astros da Nova Era
Um dos nomes
mais conhecidos no Brasil é o Lauro Trevisan, padre católico
de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Tem produzido muitos livros que promovem
os ensinos do movimento Nova Era, tais como: Os poderes de Jesus Cristo, Aquarius, A Nova
Era chegou, A vida é uma festa e Jesus, precursor
e anunciador da Nova Era. As interpretações bíblicas
de Lauro Trevisan, tentando encaixar o Senhor Jesus no programa da Nova Era,
não refletem uma boa exegese. Uma de suas afirmações que
não podemos concordar é que Jesus se tornou o Cristo aos trinta
anos, no batismo de João. Trevisan declara:
Lucas narra que, ao receber o batismo de João, desceu o Espírito
Santo sobre Jesus, em forma corpórea de uma pomba, e do céu
veio uma voz: “Tu és meu Filho bem-amado; eu, hoje, te gerei” (Lc
3.21,22). Neste momento, era gerado o Cristo, o Filho de Deus. A partir
desse instante, já não era mais apenas o Jesus. Era o Cristo,
o Iluminado, o Messias, o Salvador.
Ao contrário do que diz Trevisan, a Bíblia afirma que Jesus
já era o Cristo ao nascer, um Deus pessoal e eterno. A Palavra de
Deus afirma: “É que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o
Salvador, que é [e não será] Cristo, o Senhor” (Lc
2.11). Veja, ainda, a promessa que Deus fez a Simeão: “Revelara-lhe
o Espírito Santo que não passaria pela morte antes de ver
o Cristo do Senhor” (Lc 2.26).
Outro nome de
destaque no Brasil é Luiz Antônio Gaspareto, médium espírita
que incorpora pintores famosos, tais como: Renoir, Portinari, Aleijadinho,
Rafael, Rembrandt, Van Gogh, Picasso, entre outros. Foi apresentador do programa “Terceira
Visão”, na TV Bandeirantes, alguns anos atrás. Gaspareto
não é o único a pintar por meio da mediunidade. O jornal Folha
de São Paulo publicou matéria, na seção “Cotidiano”,
apresentando vários outros médiuns que afirmam incorporar pintores
já falecidos.
Embora o assunto
seja muito propagado e acreditado por muitos, vale a pena ouvir a opinião
de Rodrigo Naves, crítico de Arte e professor do Instituto de Artes
da Unicamp, registrada no artigo acima mencionado. O crítico diz que
os quadros sugerem semelhanças muito superficiais com o estilo dos nomes
que os assinam e que as diferenças são muito maiores que as ligeiras
semelhanças. Naves acrescenta ainda que os quadros pintados por médiuns
são obras “tão-somente de má qualidade” (7/3/93,
p. 4-6).
Vale citar também
Mirna Grizich, reconhecida como a “guru dos cristais” desde 1980.
Estudou no famoso centro de terapias alternativas, o Esalen Institute, na Califórnia,
EUA. É produtora e apresentadora de várias rádios com
programas de músicas relacionadas com a Nova Era.
Carmem Lúcia
Balhestero promove a Nova Era por meio de vídeos e fitas cassete. É a
fundadora da Fraternidade Pax Universal e tem como guia Saint Germanin, misteriosa
figura de um alquimista francês que apareceu em diversas épocas.
A influência externa
Alguns nomes
estrangeiros têm exercido muita influência em promover os conceitos
da Nova Era no Brasil. Shirley MacLaine, uma atriz de Hollywood, já visitou
o Brasil, e tem vários livros traduzidos para o português: Dançando
na luz, Minhas vidas, Não caia da montanha, A
vida é um palco, Você também pode chegar lá e Em busca
do eu. Shirley MacLaine, talvez, seja uma das pessoas que mais têm
contribuído para a divulgação da Nova Era nos dias atuais.
Fritjof Capra,
com doutorado em física pela Universidade de Viena, na Áustria, é outro
estrangeiro que tem vindo ao Brasil dirigir palestras, tentando passar a idéia
de que existe um paralelo entre a física moderna e o misticismo oriental.
Em seu livro, O tao da física, ele narra uma experiência
que teve sentado na praia numa tarde de verão. Como físico, ele
sabia que a areia, as rochas, a água e o ar eram feitos de moléculas
e átomos. Veja o seu relato:
Assim, “vi” cascatas de energia cósmica, provenientes
do espaço exterior, cascatas nas quais, em pulsações
rítmicas, partículas eram criadas e destruídas. “Vi” os átomos
dos elementos — bem como aqueles pertencentes a meu próprio
corpo — participarem dessa dança cósmica de energia.
Senti o seu ritmo e “ouvi” o seu som. Nesse momento, compreendi
que se tratava da dança de Shiva, o Deus dos dançarinos,
adorado pelos hindus.
O próprio Capra declara que se tornara
interessado no misticismo oriental, o que certamente o levou a ver nos átomos
dos elementos a dança de Shiva, numa experiência meramente subjetiva.
Se Capra fosse interessado em cultos afro-brasileiros e não no hinduísmo,
sua conclusão teria sido diferente. Ao invés de ver nos átomos
a dança de Shiva, teria visto a dança dos orixás.
O mago da Nova Era
É na
pessoa de Paulo Coelho que o movimento Nova Era tem uma de suas maiores expressões
no Brasil. Coelho nasceu no Rio de Janeiro, em 1947. Houve um período
em sua vida em que se envolveu com teatro, trabalhando como ator e diretor.
Aos 25 anos, passou a se dedicar à música e ao jornalismo, editando,
em 1972, a revista 2001, que retratava o pensamento da década de 70.
Foi nessa época que iniciou os estudos de magia e ocultismo que o levaram
a ingressar em diversas “ordens místicas”, participando
de cursos em várias partes do mundo. Em 1986, depois de percorrer a
pé a rota medieval de Santiago de Compostela, escreveu o livro O
diário de um mago. No ano seguinte, foi a vez de O alquimista.
Depois, vieram Brida, As Valkírias e Nas margens
do rio Piedras eu sentei e chorei. Todos têm estado na
lista dos mais vendidos, e alguns já foram traduzidos para diversas
línguas.
Do ponto de vista
bíblico, Paulo Coelho é um homem confuso espiritualmente e é lamentável
que uma multidão de pessoas abrace ingenuamente suas idéias.
Embora afirme ser católico romano, consegue, ao mesmo tempo, crer na
reencarnação, crença condenada claramente pelo catolicismo.
No livro As Valkírias, Paulo Coelho declara:
O Universo está povoado de anjos. São eles que nos trazem
a esperança, como o que anunciou aos pastores que um messias havia
nascido.
Embora a Nova Era diga que muitos messias já desfilaram pelo mundo,
a Palavra de Deus jamais se referiu a Jesus como um messias, mas como o
Messias. Veja a declaração do apóstolo Pedro em Mateus
16.16: “Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo,
o Filho do Deus vivo”. Cristo é o equivalente no grego do
Novo Testamento para o termo Messias no Antigo Testamento.
Em Atos 4.12, Pedro afirma ainda: “E não há salvação
em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro
nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”.
O próprio Jesus declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade,
e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).
Jesus não disse que era um dos caminhos, mas o caminho. Ele não é um
messias, como escreveu Paulo Coelho, mas o Messias. Veja ainda Lucas 2.11
e João 4.29.
Há alguns
outros conceitos (biblicamente errados) no livro As Valkírias que
precisam de uma avaliação. Observe as seguintes declarações:
Todo mundo pode contatar quatro tipos de entidades no mundo invisível:
os elementais, os espíritos desencarnados, os santos e os anjos.
Os elementais são as vibrações das coisas da natureza — do
fogo, da terra, da água e do ar — e nós os contatamos
por meio do ritual. São forças puras — como os terremotos,
os raios ou os vulcões. Porque precisamos entendê-los como ‘seres’,
aparecem sob a forma de duendes, de fadas, de salamandras”.
A crença de que podemos entrar em contato com os elementais da natureza,
tais como: duendes, fadas e salamandras, não passa, na verdade,
apenas de conto de fadas. Bem alertou o apóstolo Paulo, quando escreveu
a Timóteo: “Pois haverá tempo em que não suportarão
a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres,
segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira
nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às
fábulas” (2Tm 4.3,4).
O interessante é que
muitos pais tentam explicar aos filhos que fadas e duendes não existem,
que não passam de fábulas. Agora, não apenas as crianças
devem ser lembradas disso, mas também muitos adultos com formação
universitária (e até professores de universidades!). O que Paulo
disse na carta que escreveu aos romanos descreve bem essa gente: “Inculcando-se
por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível
em semelhança de imagem de homem corruptível, bem como de aves,
quadrúpedes e répteis. Pois mudaram a verdade de Deus em mentira,
adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito
eternamente. Amém” (1.22, 23, 25).
De acordo com As
Valkírias, “os espíritos desencarnados são
aqueles que estão vagando entre uma vida e outra, e nós os contatamos
por meio da mediunidade” (p.71). A Bíblia condena claramente o
contato com os espíritos dos que já morreram: “Não
se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou
sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro,
nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos” (Dt
18.10,11). Veja também Isaías 8.19,20.
Depois, aparecem
os santos. Paulo Coelho diz que eles são contatados pela oração.
Observe o que ele diz: “Invocamos os santos pela oração
constante [...] E quando eles estão perto, tudo se transforma. Os milagres
acontecem” (p. 72).
Ao contrário
do que afirma Coelho, em nenhum lugar a Bíblia ensina a fazer oração às
pessoas que já morreram. Tanto Maria quanto Pedro, Judas, Tadeu, João,
entre outros, não poderiam ouvir as orações feitas em
diferentes partes do mundo, pois não são oniscientes nem onipresentes.
Onisciência e onipresença são atributos exclusivos de Deus
e, sendo assim, somente Ele tem o poder de ouvir tais orações.
Orar aos santos é tentar se comunicar com os mortos, algo condenado
pela Bíblia e já discutido anteriormente neste trabalho.
A Palavra de
Deus ensina a orar a Jesus, como Estêvão fez em Atos 7.59,60.
A última oração na Bíblia também foi dirigida
a Jesus: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20). A Bíblia ensina,
ainda, que o cristão deve orar ao Pai, em nome de Jesus (Jo 15.16) e
que “a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus
Cristo” (1Jo 1.3). Veja o exemplo de oração que o apóstolo
Paulo transmite aos crentes de Éfeso: “Por esta causa me ponho
de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda a família, tanto
no céu como sobre a terra” (Ef 3.14,15). O próprio Deus
nos ordena a clamar a Ele: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei
cousas grandes e ocultas, que não sabes” (Jr 33.3).
Por último,
as entidades do mundo invisível, de acordo com o livro em referência
de Paulo Coelho, podem ser contatadas por meio da canalização
(p. 78). Canalização é o processo em que um médium,
ao entrar em transe, faz contato com algum espírito, a consciência
cósmica superior ou alguma entidade, passando a receber e a transmitir
as mensagens de tal espírito. Não há dúvida, à luz
da Palavra de Deus, de que tais entidades são demônios, como advertiu
o apóstolo Paulo: “Ora, o Espírito afirma expressamente
que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por
obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (1Tm
4.1). João advertiu: “Amados, não deis crédito a
qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (1Jo
4.1).
De fato, uma
onda mística tomou conta do Brasil em muitos níveis e segmentos
da sociedade. As religiões orientais, com suas idéias como reencarnação,
ufologia (discos voadores), meditação transcendental, ioga, comunicação
com os mortos, duendes, gnomos, fadas, astrologia, e todo tipo de adivinhação
conseguem enganar uma multidão, em pleno final do século vinte,
em meio a um fantástico desenvolvimento tecnológico. Bem disse
o Senhor, por meio do profeta Jeremias: “Porque dois males cometeu o
meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas,
cisternas rotas, que não retêm as águas” (2.13).
O ser humano
fez tremendo progresso no campo da ciência, mas espiritualmente continua
sendo um grande fracasso, em desesperada necessidade de um relacionamento de
amor e paz com o Deus único e verdadeiro por meio de Jesus Cristo, o único
que tem as palavras de vida eterna (Jo 6.68).
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Paulo Romeiro é Ph.D. em Ciências da Religião,
professor de apologética e presidente da AGIR (Agência
de Informações Religiosas).
notas:___________________
Revista Veja,
29 de julho, 1992, p. 110.
Caderno de Empregos,
7/7/92, p.2
Lauro Trevisan. Os
poderes de Jesus Cristo, Livraria Editora e Distribuidora
da Mente Ltda., Santa Maria, RS, 1983, p. 59.
Fritjof Capra. O
tao da física, Editora Cultrix, São Paulo, SP,
1975, 1983, p. 13.
Paulo Coelho. As
Valkírias, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1992, p.
38.
Ibid., p. 70.
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