Depois do Pentecoste, a Igreja
primitiva experimentou um expressivo crescimento. Os discípulos,
que somavam 120, subiram para três mil em um único dia.
Esse crescimento obrigou os apóstolos a redimensionarem toda a
estrutura da igreja. Com certeza, as tarefas aumentaram. Então,
teriam de se moldar ao novo formato que a Igreja estava alcançado.
Algumas coisas me chamam a atenção no texto em referência.
Em primeiro lugar, o crescimento não influenciou a vida de oração
dos apóstolos. Atitude que precisa ser considerada pela Igreja no
Brasil, onde, dificilmente, os líderes participam de reuniões
de oração com a igreja. Pelo texto, podemos ver que, embora
fosse três horas da tarde de um dia comum, Pedro e João estavam
indo ao templo orar com os novos irmãos.
Na porta do templo, encontram um mendigo, que lhes pede uma esmola. Imediatamente,
Pedro e João dizem àquele homem: “Olha para nós” (v.
4). Esse é o segundo ponto que me chama a atenção.
Cada discípulo, por causa do seu relacionamento com o Salvador,
deve refletir a Cristo, tornando-se um referencial para aqueles que ainda
não servem ao Senhor.
Num contexto tão conturbado quanto o nosso, devemos reproduzir a
imagem de Cristo, para que os aleijados da vida sejam curados pelo Senhor
e nunca mais andem como antes.
O terceiro ponto é a inversão de valores que a Igreja vem
sofrendo no decorrer desses dois mil anos de cristianismo. Pedro diz ao
mendigo: “Não tenho prata nem ouro”. Mas a Igreja brasileira
não pode dizer isso e, ao mesmo tempo, ser honesta, pois temos um
dos maiores índices de conversões do mundo. Somos, hoje,
o maior país pentecostal. Os nossos templos estão abarrotados
de pessoas. Mas, infelizmente, alguns líderes, durante os cultos,
passam mais tempo pedindo ofertas do que pregando o evangelho. Muitas igrejas
têm aviões, carros importados, rádios e televisões,
entre outras coisas. Enfim, somos uma igreja rica, muito rica, por sinal.
Mas o problema não é esse. É bom que as igrejas tenham
dinheiro para financiar a evangelização. Minha inquietação,
porém, está relacionada ao fato de que não estamos
cumprindo a segunda parte do texto: “Em nome de Jesus Cristo, o nazareno,
levanta-te e anda”.
Não temos problemas financeiros, mas, por outro lado, não
curamos os enfermos. A cura a que me refiro é a restauração
integral do homem. Hoje, não podemos dizer: “Não temos
prata nem ouro” (porque temos.), e muito menos: “Em nome de
Jesus, o nazareno, levanta-te e anda” (porque não estamos
pregando o evangelho em toda a sua totalidade).
Como discípulos, precisamos analisar as nossas atitudes à luz
da Bíblia. Somente assim iremos refletir, tanto na igreja quanto
no mundo, aquilo que Jesus espera de nós. Afinal, estamos rodeados
de aleijados e mendigos que buscam homens que lhes sirvam de referenciais.
Portanto, ao invés de ficarmos lançando apenas pequenas moedas
para eles, possamos lhes dizer, tal como Pedro e João: “Olhem
para nós”.
A Jesus, toda a glória!
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