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Espiritualidade evangélica
Barbara Helen Burns

Recentemente, alguém me perguntou: “Qual foi a leitura que mais influenciou a sua vida?”.
Não precisei de um segundo para responder: “Os livros de Amy Carmichael”.
Em nossos dias, há um grande interesse em espiritualidade. Os pós-modernos estão buscando experiências espirituais que preencham o vazio deixado pelo modernismo e suas soluções apenas cognitivas, científicas e gerenciais.
Os evangélicos também estão falando e escrevendo sobre espiritualidade, mas, pela falta de literatura disponível, alguns recorrem apenas a escritores e místicos católicos de séculos passados. Infelizmente, são escassos os livros em português de evangélicos, como, por exemplo, Amy Carmichael, que viveram em intimidade e entrega radical a Deus.
Nascida na Irlanda em 1867, Amy cresceu numa família piedosa, onde aprendeu, desde a infância, que a vida cristã nada mais é do que ter um relacionamento pessoal com Deus. E essa intimidade se intensificou por causa do seu envolvimento com o Keswick, um movimento de renovação na Igreja Anglicana da Inglaterra. Com forte convicção de sua chamada missionária, apesar de ter uma saúde frágil, ela foi para a Índia, em 1895, tornou-se cidadã, vestiu-se como indiana, arriscou sua vida para servir na evangelização e resgate de crianças em perigo e nunca mais voltou para a Inglaterra, até sua morte em 1951.
No início desses 56 anos de serviço missionário, Amma (seu nome na Índia) descobriu o horror das crianças vitimadas pela prostituição infantil institucionalizada como parte da religião hindu. Ela gastou e arriscou sua vida para salvar e cuidar de centenas dessas crianças.
Amma escreveu vários livros, a maior parte depois de uma queda em que ela sofreu uma fratura exposta na perna, da qual, por falta de condições na época, nunca sarou. Apesar de vinte anos acamada, sofrendo angustiantes dores, ela continuou na liderança espiritual de Dohnavur, relatando suas experiências e as de muitas outras vidas marcadas por Deus e pelo amor divino A primeira estrofe de um poema é um exemplo do coração desse destemida missionária:
Ame através de mim, ó Deus,
Faz-me como ar puro
Por onde passam livres, as cores,
Como se eu não existisse.

No seu livrinho If (“Se”), ela nos desafia a colocar Deus e os outros em primeiro lugar, demonstrando um verdadeiro “amor do Calvário”:
“Se eu não tiver compaixão pelos meus colegas, como o Senhor teve compaixão de mim, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se posso ferir o outro ao falar a verdade, mas sem me preparar espiritualmente, e sem sentir mais dor do que o outro, então não conheço nada do amor do Calvário.

“Se os elogios dos outros me alegram demais e acusações me deprimem; se não posso passar por mal-entendidos sem me defender; se eu gosto de ser amado mais que amar, servido mais que servir, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se quero ser conhecido como quem acertou em uma decisão, ou quem a sugeriu, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se eu ficar no lugar que pertence apenas a Jesus, fazendo-me necessária demais para uma pessoa, em vez de levá-la a se agarrar nele, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se eu me recusar a ser um gão de trigo que cai na terra e morre, então não conheço nada do amor do Calvário.
“Se eu quero qualquer lugar no mundo, a não estar no pó ao pé da cruz, então não conheço nada do amor do Calvário”.

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