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Regras para um bom Ashram
Barbara Helen Burns

Gosto muito de história. E como moro em João Pessoa, já li muito sobre a história da cidade, que tem o nome da pessoa que teria sido vice-presidente do Brasil se Getúlio Vargas tivesse sido presidente nas eleições de 1929. Em vez disso, João Pessoa foi assassinado, fato que Getúlio Vargas usou como desculpa para praticar o golpe de 1930.
A história de missões, porém, é mais fascinante ainda. Biografias históricas de missionários rivalizam com as mais interessantes novelas, aventuras e/ou ficções policiais. Na edição passada, compartilhei com os leitores um pouco sobre Amy Carmichael, missionária corajosa usada por Deus para transformar milhares de vidas e até algumas das leis injustas da Índia.
Nesta edição, gostaria de falar sobre E. Stanley Jones, missionário metodista na Índia no século passado. Amigo pessoal de Ghandi, Jones adotou a muito bem-sucedida estratégia missionária de grupos pequenos, chamados de ashrams. Por meio desses grupos, ele levava as pessoas hinduístas e os novos convertidos à reflexão, ao conhecimento bíblico e à vida cristã em conjunto. No seu devocionário, Abundant Living (Vida abundante),1 Jones coloca dezenove pontos essenciais para o convívio de um grupo cristão: equipe missionária, igreja ou escola. Achei esses pontos especialmente relevantes para a nossa realidade no Brasil hoje e para a minha vida como membro de uma missão e uma escola de treinamento missionário. Vejamos:

1.  Não tentar dominar o grupo.
2.  Não usar o grupo para fins pessoais ou para seu engrandecimento (como líder, popular, amado ou capaz).
3.  Tentar se colocar no lugar do outro.
4. Determinar não guardar qualquer criticismo escondido do outro. Os membros do grupo têm de ter confiança uns nos outros e merecer confiança.
5.  Não esperar perfeição do outro.
6.  Olhar para os outros, não como são, mas como poderiam ser.
7.  Resolver diferenças assim que surgem – não deixar “para lá”.
8.  Não procurar sinais de “pouco caso” ou desprezo contra a sua pessoa.
9.  Não deixar que a mesquinhez domine; ter alvos grandes e de valor que fazem desaparecer as coisas sem importância.
10. Procurar servir aos outros em vez de ficar defendendo seus direitos.
11. Amar as pessoas; fazer as coisas para o bem delas.
12. Estar pronto para decidir com o grupo contra você mesmo e sua vontade, sempre disposto a dizer “desculpe” ou “você está certo”.
13. Se há injustiça no grupo, não colocar “panos quentes”; endireitar a injustiça.
14. Não tentar criar comunhão no grupo com seu esforço; trabalharam juntos para uma finalidade em comum e a comunhão virá.
15. Lembrar que somos membros um dos outros.
16. Esperar o melhor dos outros, não o pior.
17. Ajudar as pessoas a se ajudarem a si mesmas. Não criar dependência ou sufocar os outros com seu excesso de cuidados e afeição.
18. Manter o poder do riso. Dar risadas de si mesmo e das coisas que acontecem.
19. Lembrar-se que o grupo em si não é a finalidade, mas, sim, o reino de Deus.
Todos nós prestamos contas ao Rei.

E. Stanley Jones marcou a história de missões com seu método de ashram que destaca o valor do grupo e com os muitos livros que escreveu sobre a intimidade com Deus, o poder e a vitória que Ele nos dá, mesmo nas situações mais diversas. Se há intrigas, emoções e opiniões escondidas atrás de sorrisos e abraços, falta de tomar posição em relação às dificuldades que surgem, ou até fofocas destrutivas, estamos em apuros.
Somos mais que um ashram. Somos o povo, a ekklesia de Deus. Somos servos exclusivamente do Senhor e, assim como Paulo, em Filipenses 2.1-11, devemos, com humildade, colocar o outro na frente, edificar o outro e amar o outro, a ponto de servi-lo com sacrifício de si mesmo.

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1Nova York: Abingdon: Cokesbury Press, MCMXLII.



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